O peregrino caminhava sem destino. Levado pelas circunstancias...
Caminhava desde sua mais velha lembrança. Era pobre, desgraçado e ignorante; mas por algum motivo ele caminhava, ainda que não soubesse para onde ir.
Formava-se então uma tempestade. Os raios caiam na terra, relâmpagos iluminavam o céu e o vento forte derrubava as árvores secas do local. O peregrino agarrava-se em espinhosas plantas rasteiras para não ser levado pela tempestade.
Mal caia água.
O peregrino perdia suas esperanças e pensava em soltar os ramos que o segurava em terra pois os espinhos lhe feriam gravemente as mãos.
Avistou então uma caverna, e movido por seu instinto de sobrevivência arrastou-se até o refugio.
Lá chegando, levantou-se e limpou o sangue de suas mãos em suas vestes.
Era um lugar escuro, úmido e pedregoso; com certeza o mais seguro em que já estivera.Algum tempo se passou e logo surgiu a sensação de que estava sendo observado. Havia mais alguém naquele lugar; era tão forte que quase dava para ouvir os batimentos cardíacos de seja lá o que for que lá estava.
Depois de criar coragem, ele olha para o lado e nada vê. A escuridão limitava demais sua visão.
Entretanto, houve aquele relâmpago que adentrou com sua luz no recinto revelando a face e o corpo da serpente de vinte metros e três mil dentes.
A naja encarava sua presa fixamente; e tudo o que o peregrino conseguia pensar naquele momento era no quão maldito podia ser aquele relâmpago que com sua luz anunciou-lhe sua morte.
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