segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Som do Silêncio...

Olá escuridão, minha velha amiga
Eu vim para conversar contigo novamente
Por causa de uma visão que se aproxima suavemente
Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo
E a visão que foi plantada em meu cérebro
Ainda permanece
Entre o som do silêncio

Em sonhos agitados eu caminho só
Em ruas estreitas de paralelepípedos
Sob a auréola de uma lamparina de rua
Virei meu colarinho para proteger do frio e umidade
Quando meus olhos foram apunhalados pelo lampejo de uma luz de néon
Que rachou a noite
E tocou o som do silêncio

E na luz nua eu vi
Dez mil pessoas talvez mais
Pessoas conversando sem falar
Pessoas ouvindo sem escutar
Pessoas escrevendo canções que vozes jamais compartilharam
Ninguém ousou
Perturbar o som do silêncio

"Tolos," eu disse, "vocês não sabem"
O silêncio como um câncer que cresce
Ouçam minhas palavras que eu posso lhes ensinar
Tomem meus braços que eu posso lhes estender"
Mas minhas palavras
Como silenciosas gotas de chuva caíram
E ecoaram no poço do silêncio

E as pessoas curvaram-se e rezaram
Ao Deus de néon que elas criaram
E um sinal faiscou o seu aviso
Nas palavras que estavam se formando
E o sinal disse, "As palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô
E corredores de habitações"
E sussurraram no som do silêncio...
 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Long As I Can See The Light"

Composição: John Fogerty
Creedence Clearwater Revival
 
Coloque uma vela na janela
Pois eu sinto que devo ir
Apesar de estar indo embora
Eu voltarei logo para casa
Enquanto eu puder ver a luz
Arrume minha mochila e vamos andando
Pois estou destinado a vagar por um tempo
Quando eu tiver partido, você não terá que se preocupar por muito tempo
Enquanto eu puder ver a luz

Acho que tenho aquele velho espírito aventureiro
Pois este sentimento não me deixa em paz
Mas eu não vou perder meu caminho, não
Enquanto eu puder ver a luz

Sim! Sim! Sim! Oh, sim!

Coloque uma vela na janela
Pois eu sinto que devo ir
Apesar de estar indo embora
Eu voltarei logo para casa

Enquanto eu puder ver a luz
Enquanto eu puder ver a luz
Enquanto eu puder ver a luz
Enquanto eu puder ver a luz
Enquanto eu puder ver a luz
eu amo minha namorada e siu mto gostoso

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Prece.

- Por vezes sinto como se estivesse sozinho, Senhor. Parece que sua misericórdia não chega até mim por meio algum. Sou cristão praticante, estou em dia com minhas ofertas ao templo; porém... Tudo parece vazio!
Eu por vezes eu me vejo de mãos atadas em relação à minha vida. Minha esposa e meus filhos ainda olham desconfiados para mim (estou certo de que o que digo não é apenas imaginação!) e estou conformado com a idéia de que logo serei deixado por eles... Não tenho pra onde ir Senhor!
Agora não tenho renda alguma e estou vivendo às custas de amigos. Eles dizem "Tudo bem, isso é um momento dificil e nós vamos te ajudar!", porém eu vejo a paciência e a boa vontade deles se esvaindo gradativamente a cada dia que passa.
Onde está sua justiça, Senhor? O que fiz para merecer tal castigo? Aonde queres chegar com estas provações?
Sinto como se estivesse me testando; como se quisesse conhecer os meus limites... Quer ver até onde eu vou sem me entregar, sem desistir de minha existência? Me responda!! Não és tu o Onipotente? Mal consegue dar-me uma resposta, uma explicação que seja... Andas ocupado demais Senhor para dar qualquer atenção para algo tão insignificante quanto seu filho miserável aqui?
Oh senhor, eu retiro o que disse! Não me sinto sozinho, EU ESTOU SOZINHO!!
E me pergunto ainda por que ainda oro, frequento a igreja, tenho uma familia cristã... Sou um covarde! -

E o homem se levanta a sai da capela, sem ter pra onde ir.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"A luz negra de um destino cruel... ilumina um teatro sem cor..."


Sempre só
Eu vivo procurando alguem que sofra como eu... também
Mas não consigo achar ninguém

Sempre só
A vida vai seguindo assim
não tenho quem tem dó de mim

A luz negra de um destino cruel
Ilumina um teatro sem cor
Onde estou representando o papel
Do palhaço do amor

Sempre só
a vida vai seguindo
assim
não tenho quem tem dó de mim
e eu tô chegando ao fim

Eu tô chegando ao fim...
Eu tô chegando ao fim...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

The serpent and the pilgrim.

Havia um vasto deserto com vegetação seca e ventos fortes. No céu haviam nuvens negras que anunciavam a tempestade; porem tudo o que sempre caia eram raios e uma ventania que soprava tão forte que nada parava em pé. Jamais houve chuva com capacidade  de alimentar qualquer vestígio de vida que (como por um milagre) ainda se mantia naquele local.
O peregrino caminhava sem destino. Levado pelas circunstancias...
Caminhava desde sua mais velha lembrança. Era pobre, desgraçado e ignorante; mas por algum motivo ele caminhava, ainda que não soubesse para onde ir.
Formava-se então uma tempestade. Os raios caiam na terra, relâmpagos iluminavam o céu e o vento forte derrubava as árvores secas do local. O peregrino agarrava-se em espinhosas plantas rasteiras para não ser levado pela tempestade.
Mal caia água.
O peregrino perdia suas esperanças e pensava em soltar os ramos que o segurava em terra pois os espinhos lhe feriam gravemente as mãos.
Avistou então uma caverna, e movido por seu instinto de sobrevivência arrastou-se até o refugio.
Lá chegando, levantou-se e limpou o sangue de suas mãos em suas vestes.
Era um lugar escuro, úmido e pedregoso; com certeza o mais seguro em que já estivera.
Algum tempo se passou e logo surgiu a sensação de que estava sendo observado. Havia mais alguém  naquele lugar; era tão forte que quase dava para ouvir os batimentos cardíacos de seja lá o que for que lá estava.
Depois de criar coragem, ele olha para o lado e nada vê. A escuridão limitava demais sua visão.
Entretanto, houve aquele relâmpago que adentrou com sua luz no recinto revelando a face e o corpo da serpente de vinte metros e três mil dentes.
A naja encarava sua presa fixamente; e tudo o que o peregrino conseguia pensar naquele momento era no quão maldito podia ser aquele relâmpago que com sua luz anunciou-lhe sua morte.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

É noite.

É noite.
Eu venho de algum lugar onde a neblina é densa...
Tudo o que sei é que, indiferente da situação que eu esteja vivenciando, a solidão parece mais intensa do que quando estou realmente sosinho...
Imagino que tal fato seja decorrente de ninguem conhecer aquilo que mal você conhece; aquilo que vive dentro de nós.
Estou sentado agora em um chão de concreto e há uma grama seca ao meu lado; vejo um exercito de formigas marchando diante de mim.
Sinto relativa paz com o silencio dessa pequena cidade. Vejo minha sombra tremer enquanto a lampada balança para todos os lados.
Sou incompleto em idéias, em formação imperfeito. Não há conceito que eu consiga manter e sou ciente desse meu mal... Porém, há algo que tem me deixado orgulhoso de mim mesmo é não retroceder à antigas crenças que certa vez foram respostas e que por ora não me dizem nada mais. Sinal que posso estar evoluindo ou que sou apenas folha seca levada pelo vento. Qualquer um destes pontos de análize deixa-me tranqulo.
Imaginei certa vez aonde se esconde a serenidade enquanto estamos aflitos, a passos do total desespero. Descobri então que é para cá que ela vem, para este chão de concreto... Não meu caro, não é somente um chão de concreto; este é o meu chão.
Ainda é noite; uma brisa fria bate em minhas costas e eu vejo a grama seca dançar enquanto sinto meus cabelos seguirem o mesmo ritmo. 
Que bela melodia podemos encontrar num preludio de tempestade...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...